Criptorquidia e Orquidopexia

A criptorquidia é caracterizada pela ausência de um ou dos dois testículos no escroto. Caso não se resolva até 6 meses, é indicada a cirurgia de orquidopexia

A criptorquidia ocorre quando um ou os dois testículos não descem para a bolsa escrotal ao nascimento. A criptorquidia pode causar câncer de testículo e/ou infertilidade, por isso é importante ficar atento para tratá-la adequadamente antes de 1 ano de idade.

O urologista pediátrico Dr. Ubirajara Barroso Jr. afirma que a incidência da criptorquidia é maior nos prematuros. Segundo o especialista, cerca de 3% dos meninos nascem com criptorquidia e aproximadamente a metade desse número irá ter o testículo descido ao escroto até o sexto mês de vida.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a criptorquidia afeta aproximadamente 30% dos recém-nascidos prematuros e cerca de 3,4% dos recém-nascidos a termo. A incidência de criptorquidia diminui de 3,4% ao nascimento para 0,8% aos 12 meses de idade e permanece em 0,8% da infância à idade adulta.

Se até os 6 meses os testículos não estiverem na bolsa escrotal é muito importante buscar um urologista pediátrico para correção.

Neste artigo, você vai entender o que é a criptorquidia, suas possíveis causas, consequências e a intervenção cirúrgica comumente usada para corrigi-la, conhecida como orquidopexia. Continue lendo e entenda.

O que é criptorquidia?

A criptorquidia é uma condição caracterizada quando um ou ambos os testículos não descem para o escroto durante o desenvolvimento fetal ou na infância.

Geralmente, os testículos descem do abdômen para o escroto antes do nascimento ou nos primeiros meses de vida. No entanto, em casos de criptorquidia, este processo não ocorre como deveria.

De acordo com dados da SBP, o criptorquidismo unilateral é o mais comum, representando de 75% a 90% dos casos. Já o tipo bilateral, em que ambos os testículos estão fora da bolsa escrotal, é menos comum, ocorrendo em apenas 10% a 25% dos casos.

Como a criptorquidia é diagnosticada? 

Dr. Ubirajara Barroso destaca que a presença da criptorquidia pode ser suspeitada ainda na gestação. Ele aponta que a observação dos testículos no escroto é um dos sinais de que se trata de um feto do sexo masculino. Quando os testículos não são vistos pelo exame de ultrassonografia durante o pré-natal da gestante, as seguintes possibilidades podem ser consideradas: a posição do feto não favorece o exame e esse deve ser repetido; o bebê pode ser do sexo feminino, pode haver uma má-formação genital; ou ainda pode haver uma criptorquidia.

“Segundo um estudo publicado por Gideon e colaboradores, no Journal of Ultrasound in Medicine, o escroto é visível em todos os casos na última semana de gestação. Eventualmente, pode haver um falso diagnóstico de criptorquidia, mas é raro encontrar criptorquidia após o nascimento quando a ultrassonografia pré-natal evidencia os testículos no escroto”, detalha.

Dr. Barroso destaca que após o nascimento, o exame físico é fundamental para a localização dos testículos. Eles podem ser palpados no canal inguinal (na virilha) ou não serem localizados neste exame (testículos não-palpáveis). “Quando os dois testículos não são palpáveis, a realização do cariótipo é fundamental para determinar o sexo do bebê. A hiperplasia adrenal congênita que ocorre em pessoas com cromossomo 46, XX (feminino) pode cursar com genitália masculina, apesar de ter útero, trompa, ovários e vagina”, explica.

Cariótipo se trata de um exame genético que apresenta uma representação visual do conjunto completo de cromossomos de um organismo. Geralmente essa análise é utilizada em diagnósticos médicos para identificar anormalidades cromossômicas, como síndromes genéticas, anomalias cromossômicas e desordens genéticas.

Dr. Ubirajara Barroso Jr. destaca ainda que eventualmente a ultrassonografia pode ser utilizada em caso de dúvida, principalmente no bebê que nasce com testículos não-palpados bilateralmente. “A ressonância magnética pode ajudar nos casos de garotos obesos, quando a palpação testicular é mais difícil. Os testículos não palpados devem ser avaliados com laparoscopia”, complementa.

Causas da criptorquidia?

Todo o mecanismo de descida testicular ainda não está completamente compreendido, por esse motivo, as causas exatas da criptorquidia não são totalmente abrangentes. “O testículo não desce por inação de algumas substâncias que promovem ou facilitam a sua descida, como a gonadotrofina coriônica e o fator de crescimento insulina-like são importantes para a migração”, explica Dr. Barroso.

São considerados fatores que podem causar a não descida dos testículos, a ausência desses hormônios, como ocorre em condições como:

– Insuficiência placentária;

– Presença de síndromes;

– Ameaça de aborto;

– Receptores testiculares pouco responsivos;

– Obstrução mecânica à descida testicular;

– Torção do testículo e outras condições.

Tratamento da criptorquidia  

Normalmente, o testículo desce até os 3 meses de vida, mas em alguns casos pode ocorrer até os 6 meses, especialmente em bebês prematuros. Quando isso não ocorre naturalmente, a maioria dos especialistas consideram como idade ideal a correção do criptorquidismo nos primeiros 6 a 12 meses de vida.  Em crianças maiores de 1 ano, a correção deve ser feita no momento do diagnóstico.

Segundo Dr. Ubirajara Barroso Jr., após os 6 meses de vida, muito raramente os testículos irão descer naturalmente. O urologista pediátrico ressalta que antes do procedimento laparoscópico o uso de hormônios como o GnRh ou a gonadotrofina coriônica humana podem ser uma boa indicação para diminuir a necessidade de cirurgias em dois tempos.

Orquidopexia: a cirurgia de correção da criptorquidia  

A orquidopexia é o procedimento cirúrgico para correção da criptorquidia. Ela consiste em posicionar o testículo não descendido no escroto e fixá-lo no lugar. “Hoje em dia, a maioria dos casos pode ser tratada com incisão escrotal. Inclusive, publicamos a nossa experiência e a revisão da literatura”, diz Dr. Barroso.

O médico destaca ainda que a orquidopexia escrotal tem as vantagens de causar menos dor, ser realizada por apenas uma incisão, além de poder ser abordada por uma incisão no meio do escroto (na rafe mediana), deixando uma cicatriz imperceptível.

“Nos testículos mais altos, posicionados na região inguinal, a orquidopexia deve ser por essa via, adicionando uma nova incisão escrotal para fixação. Nos casos de testículos intra-abdominais a abordagem deve ser por via laparoscópica. Testículos muito altos no abdômen podem necessitar de cirurgia em dois tempos. Nos casos de ausência testicular, pode-se colocar uma prótese de silicone”, explica.

Riscos da criptorquidia não tratada

A criptorquidia é uma condição que pode acarretar uma série de riscos se não for tratada adequadamente. “O escroto tem uma temperatura 3º a 4º C menor que a intracorporal. A presença do testículo fora do escroto, faz com que ele esteja sujeito a um aumento do risco de câncer de testículo em 5 vezes, além de lesão das células germinativas, causando atrofia testicular”, destaca o médico.

A Sociedade Brasileira de Pediatria aponta que cerca de 10% dos casos de câncer testicular estão relacionados ao criptorquidismo. De acordo com a entidade, os pacientes com esta condição apresentam um risco de desenvolver câncer testicular de 5 a 20 vezes maior que a população em geral.

A infertilidade também é uma complicação comum em pacientes com criptorquidia, de acordo com a SBP ela é observada em cerca de 30 a 50% dos casos de criptorquidismo unilateral e em até 75% dos casos de criptorquidismo bilateral.

O tratamento precoce pode desempenhar um papel crucial na prevenção ou atraso da progressão das lesões nos testículos. Agir rapidamente pode ajudar a preservar a função testicular e, potencialmente, minimizar os impactos negativos na fertilidade futura.

Seu filho tem diagnóstico de criptorquidia e ainda não foi operado? Você suspeita que o seu filho tenha essa condição? Agende uma consulta com o Dr. Ubirajara Barroso Jr.

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